Torcicolo muscular congênito: avaliação por goniometria e conduta

Avaliação do torcicolo muscular congênito no lactente: exame do esternocleidomastóideo, goniometria cervical (inclinação e rotação), classificação de gravidade (CPG APTA 2024), relação com a plagiocefalia e conduta.

O torcicolo muscular congênito (TMC) é uma das causas mais frequentes de restrição cervical no lactente e está fortemente associado à plagiocefalia posicional. A avaliação, que inclui a análise do esternocleidomastóideo (ECM) e a mensuração da amplitude cervical, ajuda a classificar a gravidade, orientar a conduta e acompanhar objetivamente a evolução.

O que é o torcicolo muscular congênito

O TMC é uma condição postural identificada geralmente nos primeiros meses de vida, caracterizada por inclinação da cabeça para um lado e rotação para o lado oposto. Pode estar associado a alterações no esternocleidomastóideo (ECM), como tensão muscular ou massa palpável.

A restrição da mobilidade cervical pode favorecer uma preferência postural persistente, aumentando a exposição de determinada região do crânio à pressão e contribuindo para a assimetria craniana. Por isso, a avaliação da mobilidade cervical é importante quando há suspeita ou presença de plagiocefalia posicional.

Avaliação: exame do ECM e goniometria

Exame do músculo

O exame do ECM deve identificar a presença de preferência postural, tensão muscular ou massa palpável, além de outras alterações relevantes.

Esses achados, combinados à idade do paciente e ao déficit de rotação cervical, contribuem para a classificação clínica e para a definição da gravidade do TMC.

Goniometria cervical

Meça a amplitude passiva de inclinação e rotação cervical para os dois lados e calcule os déficits entre eles. Quando aplicável, avalie também a amplitude ativa e a capacidade do bebê de realizar movimentos cervicais de forma simétrica.

Na estratificação de gravidade da CPG APTA 2024, o grau é definido pelo déficit de rotação cervical passiva entre os lados, combinado à faixa etária e à presença de massa no ECM. A inclinação cervical é medida e documentada, mas não entra diretamente no cálculo do grau de gravidade.

Classificação de gravidade

O Mamini segue a classificação de gravidade da diretriz de prática clínica da APTA (2024), que utiliza oito graus e considera a idade na avaliação, a presença de massa no ECM e a diferença de rotação cervical passiva entre os lados.

Grau

Classificação

Critérios

1

Precoce leve

0 a 6 meses, apenas preferência postural ou diferença de rotação passiva menor que 15°

2

Precoce moderado

0 a 6 meses, diferença de rotação passiva de 15° a 30°

3

Precoce grave

0 a 6 meses, diferença de rotação passiva maior que 30° ou presença de massa no ECM

4

Tardio leve

7 a 9 meses, apenas preferência postural ou diferença de rotação passiva menor que 15°

5

Tardio moderado

10 a 12 meses, apenas preferência postural ou diferença de rotação passiva menor que 15°

6

Tardio grave

7 a 9 meses, diferença de rotação passiva maior que 15°, ou 10 a 12 meses com diferença de 15° a 30°

7

Tardio extremo

7 a 9 meses com massa no ECM, ou 10 a 12 meses com diferença de rotação maior que 30° ou massa no ECM

8

Muito tardio

Mais de 12 meses, com qualquer assimetria relacionada ao TMC

A classificação auxilia na documentação da gravidade, na comunicação com a família e no acompanhamento da evolução. A gravidade deve sempre ser interpretada em conjunto com os demais achados da avaliação.

A relação com a plagiocefalia

TMC e plagiocefalia posicional estão frequentemente associados. A restrição da mobilidade cervical pode favorecer uma preferência postural e contribuir para o achatamento craniano. Por isso, a avaliação da mobilidade cervical é importante quando há assimetria craniana associada.

Quando as duas condições estão presentes, a abordagem deve considerar tanto a mobilidade cervical quanto os fatores que contribuem para a assimetria craniana.

Conduta

A base do tratamento fisioterapêutico inclui ganho de amplitude cervical, estímulo ao movimento ativo e simétrico, controle postural, adaptações ambientais, orientação aos cuidadores e tummy time durante a vigília supervisionada.

Técnicas manuais podem ser utilizadas como recurso complementar dentro da abordagem fisioterapêutica, de acordo com a avaliação individual.

A intervenção precoce está associada a melhores resultados e, em geral, a períodos de tratamento mais curtos. O acompanhamento deve considerar a evolução da amplitude cervical, da simetria dos movimentos e do desenvolvimento motor.

O encaminhamento para avaliação médica ou investigação adicional deve ser considerado diante de massa volumosa, ausência de resposta ao tratamento bem conduzido, assimetria facial importante ou suspeita de uma causa não muscular para o torcicolo.

Como o Mamini faz

No Mamini, a goniometria registra os ângulos de inclinação e rotação cervical, calcula os déficits entre os lados e utiliza esses dados para auxiliar na classificação clínica e no grau de gravidade conforme a diretriz da APTA.

Os resultados ficam registrados no histórico do paciente, permitindo acompanhar a evolução das medidas ao longo das sessões e documentar objetivamente a resposta ao tratamento.

Você acompanha a evolução da amplitude cervical sessão a sessão, com registro padronizado e referências clínicas rastreáveis, sem precisar manter uma planilha paralela.

Referências

  • Sargent B, Coulter C, Cannoy J, Kaplan SL. Physical Therapy Management of Congenital Muscular Torticollis: A 2024 Evidence-Based Clinical Practice Guideline From the American Physical Therapy Association Academy of Pediatric Physical Therapy. Pediatric Physical Therapy. 2024;36(4):370-421.

Perguntas frequentes sobre esse tema

Qual medida define a gravidade do torcicolo?

O déficit de rotação cervical passiva entre os lados, combinado à idade na avaliação e à presença de massa no ECM, conforme a classificação de gravidade da APTA (2024). A inclinação cervical também deve ser medida e documentada, embora não determine diretamente o grau da classificação.

Por que avaliar o torcicolo junto com a plagiocefalia?

Porque a restrição da mobilidade cervical pode favorecer uma preferência postural persistente e contribuir para a assimetria craniana. Avaliar a amplitude cervical permite identificar e acompanhar esse componente funcional durante o tratamento.

A terapia manual ajuda no torcicolo?

Técnicas manuais podem ser utilizadas como recurso complementar da fisioterapia em casos selecionados, de acordo com a avaliação clínica. A resposta ao tratamento deve ser acompanhada por medidas objetivas, incluindo a evolução da amplitude cervical.

Quando encaminhar?

O encaminhamento para avaliação médica ou investigação adicional deve ser considerado diante de massa volumosa, ausência de resposta ao tratamento bem conduzido, assimetria facial importante ou suspeita de causa não muscular do torcicolo.